quinta-feira, 22 de abril de 2021
domingo, 25 de fevereiro de 2018
“CAUSOS” DA INTERPRETAÇÃO – A SALA DO PÂNICO
Olá, pessoal da Libras! Tudo bem
com vocês?
Bom, pelas minhas contas, já fiz umas 7 bancas para intérprete de
Libras (graças a Deus, passei em todas, só pela graça mesmo!). Em todas elas,
observei um fenômeno que denominei como “a sala do pânico”.
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| É nesse momento que as coisas começam a dar errado! |
Acontece assim... você chega super nervosa para a banca (pois um fato
declarado é que ninguém gosta de ser avaliado), tentando relembrar os sinais
que você já conhece para uma prova que você nem imagina o que vão pedir e aí
começa a conversar com as pessoas que vão fazer a banca junto com você.
O legal é conversar, conhecer pessoas novas (e acredite, em algum
momento de sua vida de intérprete vocês vão encontrar com estas mesmas pessoas),
compartilhar histórias e experiências. Mas então, sem esperar, começa o
fenômeno da sala do pânico...
De repente, com a proximidade da prova, instala-se um pânico geral na
sala de espera. Geralmente começa quando alguém sai da sala da banca meio
cabisbaixo ou com uma expressão de desespero e isso te contagia. Se você não
cuidar, o que antes era tranquilidade vira pânico em seu coração.
Você começa a
ficar nervoso, as mãos suam e piora quando alguém na sala faz um sinal que você
ainda não conhece! “Ué, que sinal é esse?” – Nãããooooo!!! Parece que tudo o que
você conhece some da sua mente devido a um único sinal que você nunca viu na
vida! É nesse momento que a sua aparente paz de espírito fica num cantinho de
castigo na sala do pânico!
Não deixe isso acontecer! Lembrem-se que a expressão faz parte da
gramática da Libras, se não controlar o seu emocional, você já vai chegar com
cara de pânico na avaliação e é até perigoso os avaliadores pensarem que o seu
sinal pessoal vem com uma expressão de assustado!
É normal sentir a tensão do momento, a adrenalina, o frio na
barriga... se não sentir nada disso, desconfio que você pode ser um robô. Quando
eu vou interpretar, ainda tenho essas sensações.
O problema é deixar todas essas sensações aflorarem ao ponto de
prejudicar o seu desempenho. Já vi candidatos filhos de surdos que tiveram a
Libras como primeira língua não passarem em banca devido ao nervosismo. Tinham
um super conhecimento da língua, mas descuidaram do coração.
Também, já tive experiências de atuar como avaliadora em bancas de
intérpretes e sei identificar o momento exato em que o pânico “trava” o
candidato, e eu fico aflita junto!
![]() |
| Paz e tranquilidade! Mantenha a mente assim, esse é o verdadeiro desafio! |
Por isso, seguem algumas dicas:
- Cuidado com as conversas “pré- provas” de Libras. É como o
vestibular, você ficar estudando em cima da hora não vai te ajudar, pelo
contrário, vai te deixar mais nervoso ao perceber que poderia ter estudado
mais. O que ajuda é você se concentrar, fazer sua oração, respirar fundo e
confiar em sua bagagem de Libras;
- Preste atenção no que o seu corpo está dizendo. Sentiu acelerar o
coração? Dê uma caminhada, tome uma água, respire fundo 3 vezes, faça um alongamento,
coma uma bala (para o açúcar ajudar um pouco), procure identificar quais
músculos estão tensos e concentrem-se em relaxá-los;
- Não passei! E agora? Ué, tudo bem! Libras é uma aprendizagem de
longa caminhada, procure rever sua prova mentalmente e anote quais itens você
precisa melhorar e vá atrás disso, faça cursos, estude vídeos, converse com
surdos e intérpretes, o mundo está aí! Se você não passou, não é o fim do
mundo, é mais uma oportunidade para você estudar e tentar novamente. Ninguém
falou que ia ser fácil!
Ajuda muito se você ficar consciente do fenômeno da “sala do pânico”, então,
prefira estar no sofá da tranquilidade! Tudo vai dar certo!
Abraço sinalizado,
Priscila
domingo, 18 de fevereiro de 2018
“EU LI E GOSTEI” – SURDEZ E LINGUAGEM
Oi, pessoal da Libras!
Tudo bem?
O post desta semana é uma “resposta”
a um comentário de uma leitora do blog. Ela perguntou sobre os livros que já li
sobre surdez... eu leio livros sobre surdez e educação de surdos há 11 anos,
então já perdi a conta!
Mas tem alguns livros que são
fundamentais para quem está estudando Libras, porque para ser intérprete, não
basta saber os sinais e a gramática, precisa conhecer a cultura que a língua
traz e como a educação de surdos funciona. É um estudar constante!
O livro de hoje é este:
Surdez e Linguagem: aspectos e
implicações neurolinguísticas de Ana Paula Santana, Editora Plexus, 2007.
A Dra. Ana Paula Santana foi
minha professora na especialização de Psicopedagogia, é uma pessoa muito
querida e super competente. Esse livro é meu “xodó”, está até autografado :n)
O livro trata da identidade do
sujeito surdo, sobre aquisição de linguagem, maturação cerebral, o surdo
bilíngue e as experiências da professora Ana enquanto fonoaudióloga de surdos.
Dá uma visão bem ampliada sobre os aspectos linguísticos que envolvem o sujeito
surdo. Para vocês terem uma ideia, eu
comprei este livro em 2008 e ainda o uso nas orientações de TCC e nas aulas da
faculdade.
Seguem trechos do livro:
“Trata-se o bilinguismo como se
esse fosse um método capaz de garantir as interações dos surdos com as duas
línguas. Mas o uso da linguagem transcende as instituições. Não é algo
individual, e sim social. Assim, não há garantias sobre os usos da língua,
sobre a proficiência de seus interlocutores, sobre a relação de cada sujeito
com essa(s) língua(s).” (p. 200).
“ O Bilinguismo não pode ser
analisado com relação a um padrão ideal ou apenas em termos de proposta
educacional. Ele depende de vários fatores interacionais, linguísticos,
cognitivos e sociopolíticos” (p. 201).
Bem bakthiniano, não?! :n)
Bom estudo!
Abraço sinalizado,
Priscila
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
SINAIS DE SAÚDE - ANTIBIÓTICO
Olá, pessoal da Libras!
Tudo bem?
Ultimamente tenho pesquisado sobre sinais em Libras na área da Saúde e encontrei este vídeo, muito bom!
Bom estudo!
Abraço sinalizado,
Priscila
Tudo bem?
Ultimamente tenho pesquisado sobre sinais em Libras na área da Saúde e encontrei este vídeo, muito bom!
Bom estudo!
Abraço sinalizado,
Priscila
domingo, 11 de fevereiro de 2018
“CAUSOS” DA INTERPRETAÇÃO PARTE 2 - A EXPRESSÃO FACIAL IDEAL
Olá, querid@s da Libras! Tudo bem
com vocês?
Bom, pensando um pouco sobre o
que iria postar nesta semana, lembrei de um “causo” que sempre utilizo em meus
cursos.
Eu estava interpretando uma pregação
de um pastor convidado e prestando muita atenção na entonação dele. Quem já
trabalha com interpretação, sabe disso: você se acostuma com a entonação e o
jeito da pessoa que geralmente interpreta (seja na igreja, escola, faculdade,
empresa e por aí vai!), então você conhece quando a pessoa está sendo irônica,
contando algo triste, se usa muitas gírias ou é mais “sério”, sendo enfático...
enfim, a questão é que tudo isso precisa ser refletido em sua expressão facial,
na tensão muscular que usa no momento de fazer o sinal, na movimentação do
corpo e até na escolha do sinal ideal que vai combinar mais com o contexto. Quando
vem alguém “de fora”, sempre acontece uma preocupação! Este tipo de situação
rende muitas histórias, tenho uma coleção delas!
Na interpretação, é normal você
esperar um pouco até começar a interpretar, para você pode entender o contexto
que a pessoa está se referindo e entender a linha de raciocínio que a pessoa
está fazendo. E olha que neste caso, eu esperei!! Ele estava contando que um
pastor entrou em um restaurante, e um grupo de homens “encarou” o pastor. Sim,
ele usou a palavra “encarou”, mais do que rápido meu cérebro me deu esta
informação:
Sim, porque quando alguém me diz
que foi “encarado”, o sentimento que está incutido aí é de braveza, estranheza,
de não ser bem-vindo... coisas deste tipo e adivinha?? Esta foi a minha seleção.
O palestrante continuou a descrever a situação de que o grupo começou a falar mais baixo,
olhando para o pastor e meus movimentos foram seguindo esta ideia: coloquei o
grupo em uma mesa ao lado (imaginei que seria um canto escuro), comecei a fazer
expressão de brava.
No momento de cochichar, encolhia os ombros, dava uma
olhada como se estivesse falando de alguém, usava os sinais mais suaves como se
tivesse falando mal da pessoa sem que ela percebesse isso e fui enriquecendo a
cena.
Quando eu terminei e a cena
estava no contexto, o palestrante disse: “Então, quando cheguei perto do grupo
eles falaram: Oi, pastor! Tudo bem?”. Neste momento, ele mudou a entonação e
usou a voz como se o grupo estivesse realmente feliz ao ver o pastor no
restaurante! AHHHHHH.... não!!!!!
Fiz toda uma representação de que
ele estava em um daqueles restaurantes “barra pesada”, que aparecem nos filmes
de ação e na verdade eu estava indo ao contrário do que ele queria dizer. Nesta
vez, a entonação e as palavras que ele utilizou fizeram um outro caminho no meu
cérebro de intérprete.
Mais que rápido, mudei a minha
expressão corporal. Para quem estava vendo, deve ter ficado fora de contexto! Ô
situação!!! Isso acontece em questão de segundos, como eu sempre digo para meu
marido: Não me pergunte como eu faço (hahaha).
Depois vem o momento do “flashback”,
em que você termina de interpretar e começa a refazer os seus “passos”, como
acontece quando você perde alguma coisa e começa a puxar pela memória os
caminhos que fez.
Nesse dia, fiquei
feliz por ter “pensado rápido” e arrumado a cena, mas com aquele sentimento de “ai,
ficou tão legal, não acredito que estava errado”. Acontece nas melhores famílias... Mas deixei guardada aquela
imagem do restaurante barra pesada em meu cérebro, quem sabe um dia ainda eu uso
:n)
E aí, como está o seu estudo na
Libras?
Aprenda um pouco mais sobre
expressão facial neste post
Tem alguma história para contar?
Compartilhe nos comentários!
Um abraço sinalizado,
Priscila
domingo, 4 de fevereiro de 2018
“CAUSOS” DA INTERPRETAÇÃO PARTE 1
fonte: 123rf.com
Olá, querid@s!
Iniciando os trabalhos do Blog
Comunicar Dicionário Libras de 2018. Estou na metade do Doutorado em Educação e
agora estou conseguindo respirar um pouco :n) Ontem mesmo uma amiga minha me
disse: “Você nasceu para estudar”, e acho que é isso mesmo!
Esse ano, resolvi além de
compartilhar com vocês algumas curiosidades sobre Libras, que tem ocupado
grande parte dos meus posts, resolvi compartilhar também algumas experiências
minhas na interpretação ( são 11 anos, como passa rápido!).
Primeiro queria agradecer a todos
os leitores do meu blog, tenho recebido mensagens de todo canto do Brasil, de
como os materiais aqui compartilhados tem ajudado vocês na aprendizagem dessa
língua tão linda que é a Libras. Muito obrigada de coração, sintam-se sempre
bem-vind@s!
Para começar, o primeiro “causo”
(quer palavra mais brasileira que essa? Amo!) foi como eu aprendi a
interpretar. Ok, são vários fatores que levam você a ser um intérprete, se você
está começando a estudar Libras já percebeu isso, né? Quando você domina o
sinal, falta a expressão, quando consegue perceber sua expressão, falta a
tensão no sinal e por aí vai! Por isso, tenha sempre em mente que aprender
Libras é para a vida! Assim você fica menos frustrado, hehehe.
Mas eu queria muito muito mesmo
interpretar (e acho que isso tem grande relação com o esforço que você dedica
na aprendizagem), tanto que fiquei fluente em 10 meses (sim, é possível!). Então
eu tinha minha rotina de estudos em casa (15 sinais por dia de qualquer
categoria), leituras de livros e artigos para entender como a língua funcionava
e no final de semana aproveitava para conversar com os surdos da minha igreja
para adquirir fluência e saber mais como os surdos eram.
Também, tinha uma estratégia. Os
cultos em nossa igreja (Primeira Igreja Batista de Curitiba) têm interpretação
em Libras, ou seja, temos uma escala com os intérpretes para cada culto. Eu
ainda não tinha entrado na escala, então aproveitava para aprender novos sinais
(nerds né, eu sei!). Eu lembro que
tinha um caderninho que carregava na bolsa para cima e para baixo, fazendo
anotações “de campo”.
Então, essa era a estratégia:
quando alguém ia interpretar, meu caderninho ficava a postos e eu anotava os
sinais que eu não conhecia de um jeito que eu saberia como perguntar depois, por
exemplo: Configuração em C, altura do coração lado esquerdo, com o movimento de
cima para baixo. Aliás, para fazer isso, você precisará saber quais são os
parâmetros da Libras, confira neste post.
Eu anotava (tinha que ser rápida,
como dizem, “um olho no peixe, outro no gato” para não perder os outros sinais)
e depois ia conversar com o intérprete para pedir ajuda, se ele poderia me
explicar o significado daquele sinal (que nesse caso é COMPAIXÃO).
Uma coisa que falo para meus
alunos, é que nunca se sabe tudo! Precisa ser humilde para saber que, na
Libras, você sempre vai precisar de ajuda de alguém para aprender algo novo,
tanto de surdos quanto de intérpretes.
Essa do caderninho me ajudou
muito e creio que pode ajudar você também a aumentar o seu vocabulário, claro
que hoje tem gravação (aliás, é educado pedir antes para o intérprete se você
pode gravar ou fotografar, #ficaadica), anotações no celular e por aí vai. Em
2007 os celulares não eram tão “smarts”
quanto são agora ;n) Você vai ver que com o passar do tempo, seu caderninho vai
ficando mais vazio e você vai começar a memorizar mais os sinais... mas para
isso, precisa de prática!
Confira também: Dicas para estudar Libras
Não desista!
Um grande abraço sinalizado,
Priscila Festa
sábado, 7 de novembro de 2015
SINAIS DE PROFISSÕES EM LIBRAS
LIBRAS: Sinais de profissões
Olá!
Caso você não consiga visualizar o vídeo nesta página, clique no link abaixo para acessá-lo diretamente no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=hpFTfgkod8I&feature=youtu.be
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